Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional, como o próprio nome diz, se refere estritamente a atuação profissional (seja ela qual for), abrangendo várias áreas, como a da saúde, das vendas, os Bancos, educação e por aí afora.

Está incluída na 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional. Não é classificada como uma condição de saúde. Porém, o não cuidado recairá fatalmente em sérios problemas desse patamar, afetando a parte física e a emocional. O funcionário não só se ausentará do trabalho, como poderá apresentar, em consequência da síndrome, sequelas, por vezes, irreversíveis.

Nos dias atuais, é muito comum vislumbrarmos pessoas que se dedicam quase que integralmente às suas funções. Muitas iniciam sua jornada antes do horário convencionado e terminam, muito após.  Quase sempre respondem a pressões, metas, desafios constantes, alta competitividade e excesso de responsabilidade, o que as torna bem mais suscetíveis à síndrome.

O fato de não enxergarem seus próprios limites as faz viverem em função de suas necessidades e objetivos, esquecendo-se que são seres humanos que, como qualquer outro, se fadigam, precisam de tempo e espaço para si e sua família. São exigências laborais somadas ao estresse constante, que se alonga ao passar do tempo, tornando-se insuportável. É a constância do estresse, aqui, que vai determinar a possibilidade de ocorrência da síndrome.

O esgotamento físico e emocional toma tal vulto que a autoimagem começa a ficar distorcida e o indivíduo já não se acha tão competente para arcar com aquelas funções. A energia fica desgastada, e a pessoa mal tem vontade de ligar o laptop.

Quase sempre, no início, há algum desarranjo gastrointestinal, ou uma dor de cabeça; com o passar do tempo há mais cronificações, a ponto de a pessoa entrar em quadros graves de depressão e/ou pânico. Além do acometimento da hipertensão, com suas consequências nefastas.

Todo empregador deve zelar pelo bem-estar físico e psíquico de seu colaborador. Antes mesmo que seus funcionários entrem em situações mais graves, há que se olhar o que vem por detrás de tudo isso.

Bem, sabemos o que o absenteísmo (padrão habitual de ausências no processo de trabalho, dever ou obrigação, seja por falta ou atraso, falta de motivação ou devido a algum motivo interveniente) provoca nas relações laborais. No mínimo, aquele que se ausenta sobrecarrega o outro. Sem contar com a baixa na produtividade e o clima organizacional prejudicado pelo padrão de ter que “cobrir” uma ausência, trabalhando mais. Imaginem quando as licenças médicas são extensas. Além disso, há o risco de a Burnout ser considerada como acidente de trabalho por autoridades que determinam aposentadorias e suspenções do trabalho, desencadeando consequências indesejáveis tanto para o colaborador quanto para a empresa.

Medidas preventivas podem ser feitas, como evitar que seus funcionários precisem fazer horas extras. Pode-se pensar, também, em realizar reuniões, nas quais, além da cobrança de metas, sejam conversados outros assuntos, com dinâmicas simples, propiciadoras de interações mais leves, dando um pouco de risada, escrevendo um cartão para o funcionário que acabou de se tornar pai ou, quem sabe, fazendo uma videochamada para aquela funcionária que acabou de ser mãe, por exemplo.

Possibilitar que as pessoas opinem sobre as novas estratégias da empresa, estimula o sentimento de pertencimento, aumentando, desta forma a motivação e estimulando a equipe a propagar novas ideias.

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A qualidade de vida dos funcionários também está ligada à forma como são tratados. Lideranças que respeitam seus colaboradores sempre terão melhores resultados. Caso seja necessário chamar a atenção de alguém, que seja feito em separado; é indispensável saber como a pessoa está atualmente, pois, neste momento, podemos estar frente a alguém que acabou de perder um ente querido na semana e sequer pôde despedir-se - apenas como exemplo de consequência de um contexto atual pandêmico.

Flexibilização nos documentos, transparência nos objetivos, estratégias mais claras e menos burocráticas, também são bem-vindas. E linhas de comunicação mais diretas trazem bons resultados, sem dúvida.

Trabalhar em equipe ajuda muito e, para isso, observem bem expectativas X competências em relação a cada colaborador. Algumas pessoas, individualmente são prodígios, mas apresentam dificuldade, por exemplo, em falar em público.

Vou dar exemplo disso: um bom médico pode ser um grande cientista, mas não necessariamente terá tato suficiente para cuidar da parte assistencial de um Hospital. Ele continua sendo um excelente profissional, fazendo aquilo que sabe fazer melhor, não o que traz como desafio.

De qualquer forma, na maioria das vezes, um bom treinamento pode capacitar uma pessoa a assumir novos desafios e diminuir o estresse em relação a novas funções.

Atividade física, meditação e relaxamento são boas estratégias a serem estimuladas. Mas cuidado! Nem todo mundo, “ama” academias ou consegue meditar. Se o funcionário estiver num quadro de extrema ansiedade, não conseguirá fazer um relaxamento ou uma meditação. O importante é estimular que procurem algo que resulte na mudança de foco para algo que não envolva responsabilidade constante.

Algumas vezes, a indicação de um bom médico e/ou de um psicólogo, auxiliará para que as cronificações não cheguem a um patamar tão alto a ponto de uma licença médica ser necessária.

Cada um de nós apresenta certos talentos, que podem ser aumentados conforme nossas capacidades. Um bom estímulo deve ser feito, mas que não extrapole o limiar de cada colaborador, havendo uma observância daquilo que é viável e possível e do que está fora da curva de tolerância de cada um. Desse modo, haverá ganhos para ambos os lados (empregador e empregado).

Fica aqui uma reflexão…

Eliana Conquista é consultora e psicóloga
Divulgação

Eliana Conquista é consultora e psicóloga

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