A mudança do perfil de compra. O mercado mudou. E agora acabou de mudar novamente, com a crise. Já viemos de uma mudança, o digital já era uma realidade, e agora vem outra mudança, que é o impacto econômico.

Nesses momentos de grandes mudanças, eu me lembro muito do tempo que trabalhei no Japão, lá eu morei nove anos e meio lá, e eu trabalhei para um peruano durante um tempo. 

Esse peruano uma vez, quando na época eu estava com 24 anos, me falou algo que eu não esqueço: "Edgar, o brasileiro é muito arrojado, ele é desbravador, ele vai para cima. Ele só tem um ponto negativo". Eu falei: "qual?". Ele respondeu: "ele é otimista demais, ele acha que todo negócio que ele vai empreender vai dar certo, ele não se prepara".

Não é nem otimismo, ele não tinha o vocabulário correto. Mas eu acho que a fé, o otimismo é coisa diferente de você ser realista, ser crítico, ser planejador, ser prudente.

Eu sempre falo: "peque pelo excesso, do que pela falta". Qualquer tempestade, ele acha que vai passar no dia seguinte, e quando o negócio volta à sua realidade convencional, ele também acha que ela é duradoura, que vai sempre estar em uma maré alta, e ele também não se planeja para a escassez.

Ou seja, ele sempre acha que no dia seguinte vai ter o emprego, vai ter o cliente, ou o negócio, vai ter empreendimento. Mas, obviamente, a realidade não funciona 100% da forma com que imaginamos e ansiamos.

Então, a gente tem que entender que a gente tem que sair do efeito de manada. Independentemente de crises ou não, a maioria das pessoas tende a seguir um caminho, que é o efeito de manada.

Essa é a zona de conforto: vamos trabalhar oito horas por dia, sábado e domingo são dias de descanso.

Você viu?

De modo geral, o profissional acaba tirando o pé do acelerador.

Quando eu fui abrir a minha imobiliária, em 2011, em uma cidade de 105 mil habitantes, eu abri uma imobiliária em 30 metros quadrados. E de 88 imobiliárias, eu era a única que ficava até oito horas da noite. Todas fechavam entre cinco e seis horas da tarde.

Eu nadava de braçada, porque o cliente que não podia ser atendido no horário comercial, ele ia à minha imobiliária. E o exemplo de como isso dez a diferença é que eu tenho sócio investidor há nove anos, que entrou no meu escritório quase oito horas, aí ele comprou um terreno e depois, no sábado, ele retornou.

Um sábado qualquer, ele era do ABC, da Grande São Paulo, ele retornou no meu escritório, e falou: "você é um cara diferente, eu quero investir na sua empresa".

Tornou-se meu sócio, e ficamos nove anos nessa sociedade. E aí falam que é sorte. Sorte, eu falo que é quando você trabalha duro, duro, duro, uma hora dá certo.

Edgar Ueda é sócio fundador do Instituto Êxito, fundador da Neximob, palestrante e autor de best-sellers.
Arquivo Pessoal/Edgar Ueda

Edgar Ueda é sócio fundador do Instituto Êxito, fundador da Neximob, palestrante e autor de best-sellers.




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