Se podemos falar algo de positivo dessa tragédia humana chamada de pandemia (covid-19), foi o aprendizado (a fórceps) em prol da conexão digital. Muitas pessoas que eram analfabetos digitais (“analfabites”) passaram a se deslumbrar com “a porta de saída” dos “presídios residenciais” gerados pelos “lockdowns”. Com o toque de recolher nos grandes centros urbanos as pessoas tiveram que aprender a força (e de imediato) a usar a “porta digital” para ter os seus familiares e amigos de volta; realizarem compras; consultarem médicos; etc.

Mas o que isso tem a ver com o empreendedorismo?

A pandemia deu início ao que eu denomino de “REVOLUÇÃO ZOOM”, porque apesar do SKYPE existir desde os idos de 2003, poucas pessoas usavam a ferramenta de conexão por vídeo nas suas rotinas diárias, ou seja, isso não era um hábito popular. O ZOOM democratizou a conexão de vídeo, interligando pessoas que sequer sabiam que esta possibilidade existia. Isso transbordou para as empresas e muitos enxergaram uma maior simplicidade na execução das tarefas, dos negócios, de forma instantânea de se relacionar com clientes e prestadores de serviços, e a um custo irrisório.

A REVOLUÇÃO ZOOM “startada” pela pandemia, demonstrou que as conversas olho no olho poderiam ocorrer com sucesso, sem a necessidade de enfrentar as filas dos aeroportos; horas de voo; congestionamentos a bordo de ubers; hospedagem cara; etc., e que as reuniões estavam ali a um toque das mãos. Mas nem tudo é perfeito, a parada geral das empresas e dos negócios, deu um contravapor neste fenômeno.

Apesar disso tudo, OS EMPREENDEDORES MAIS ATENTOS perceberam que com a normalização dos negócios – na retomada - poderiam obter uma gigante economia gerada pela redução dos custos operacionais e agilidade nas suas empresas. A descoberta que o ZOOM gerava uma enorme redução de custos, aliado a outros fatores (ex: Home office), também descobertos pela segregação da pandemia, trouxe a certeza de que a mudança veio pra ficar.

A “porta digital” que as residências em “lockdown” abriram, não se fechará mais. A mente dos analfabetos digitais, que se expandiu a força não retornará mais a situação de desconhecimento digital, quanto a esta modalidade de se relacionar, através de vídeo.

Com a chegada da vacina e a retomada dos negócios, os EMPREENDEDORES devem rever toda a sua cadeia de custos. Vou citar um exemplo, antes de explicar melhor o que penso. Imagine uma empresa sediada em Porto Alegre (RS) contratando um Contador que está sediado em Rio Branco (AC). Ou seja, apesar de estarem separados por 3.790 km de distância, o cliente e o prestador de serviços podem, graças a REVOLUÇÃO ZOOM, trabalharem juntos.

E qual a razão da contratação? Ora, o preço da hora de serviço e a comodidade do pronto atendimento on-line de prestadores em regiões menos favorecidas pelo pujante mercado do sul, é uma forte razão para isso. Imagine que a empresa porto-alegrense resolveu fazer uma pesquisa de preços e encontrou o Contador rio-branquense por um valor bem em conta e uma excelente reputação. O custo de vida menor na cidade de Rio Branco, permitiu que o Contador conquistasse o contrato e a empresa atingiu uma significativa redução de custo, mantendo a eficiência no atendimento da sua necessidade contábil.

Portanto, repito, os empreendedores mais atentos, já estão avaliando todos os seus custos operacionais e ampliando o leque de contratação de serviços por todo o Brasil, porque a “revolução zoom” permite que o contato digital e à distância seja eficaz. Imagine o quanto pode ser economizado na sua empresa, contratando mão de obra de profissionais especializados, baseados em locais que o custo de vida e mais baixo e com isso o serviço tem um preço melhor? Locais com o aluguel mais baixo, impostos menores, oferta de serviços menores, etc., abrem um leque de oportunidades e permite que se trabalhe por um preço bem mais em conta.

Em suma, o presente artigo visa despertar os empreendedores e as  empresas a reavaliar toda a cadeia de serviços perenes, que são possíveis de ser entregues pela “porta digital”; a partir daí, abrir uma pesquisa nacional de preços e em seguida, buscar as contratações nos locais que ofereçam os melhores preços. Vejo isso como uma segunda revolução e uma verdadeira “dança das cadeiras” em muitos ramos, tais como: Contabilidade, medicina, jurídico, recursos humanos, departamento de pessoal, etc. – porém, algo ainda a ser muito aprendido e executado, porque o ser humano presa e corretamente, pelo contato físico e presencial, o calor humano jamais será substituído por uma tela.

Marcos Alencar é advogado, consultor e diretor geral do Instituto Êxito de Empreendedorismo
Arquivo Pessoal/Marcos Alencar

Marcos Alencar é advogado, consultor e diretor geral do Instituto Êxito de Empreendedorismo



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