No quesito da legalidade do negócio, o empreendedor também precisa pensar grande. Resolvi escrever este artigo, porque me deparo sempre com uma encruzilhada, que são empreendedores dando cabeçadas por não atenderem as diversas regulamentações que temos no País, alegando que eram pequenos e por isso, desprezaram as exigências legais.

Quanto a isso, seguem alguns conselhos:

SE CONSIDERE GRANDE – Não importa o tamanho da sua empresa e negócio. Se inspire nos gigantes. Por exemplo, está batendo na porta a vigência da LGPD, que é a Lei Geral de Proteção de Dados, que aguarda apenas a sanção do Presidente da República.  Parta na frente, e analise o que as grandes empresas do seu ramo estão fazendo, pesquise e estude. Informação tem de sobra na internet. As grandes corporações penam para aplicar as regras, por serem grandes. Se o seu negócio é pequeno, creia, será bem mais fácil e barato de se ajustar. Portanto, acompanhe os gigantes e module a dosagem da aplicação das medidas para o tamanho do seu negócio;

SE DESAPEGUE DO PENSAMENTO PEQUENO – A sua empresa deve pensar como grande, quando o assunto for regulação das suas atividades e principalmente ORGANIZAÇÃO INTERNA. Imagine-se sendo uma sociedade anônima, de capital aberto, tendo que prestar contas aos investidores. Simular dessa forma a sua pequena empresa individual ou limitada, só ampliará a sua mente e a dos seus parceiros e demais colaboradores.  Muitas micro empresas falham porque agem de forma micro e desprezam a lei. Se acanham. Não criam procedimentos, controles, não se formalizam perante os demais órgãos como uma empresa grande. A grandeza dever ser baseada nas atitudes da pessoa jurídica. Eu aplaudo de pé, quando me deparo com uma empresa pequena, com organização de grandes corporações, com diretorias bem segmentadas (tais como: CEO (Chief Executive Officer) - Diretor geral ou presidente da empresa / CFO (Chief Financial Officer) Diretor financeiro da empresa / CIO (Chief Information Officer) - Diretor de Tecnologia da Informação da empresa, etc.) e com procedimentos bem segmentados. Pelo organograma e pela organização dos atos, já sinto que aquela pequena empresa pensa grande e que poderá crescer como um pé de mostarda, no seu segmento.

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FAÇA ATAS DE REUNIÃO E TRACE METAS CLARAS – É comum também me deparar com empresas que por serem pequenas e ainda não terem sofrido uma fiscalização e nem cobrança por parte das autoridades, seguem na informalidade. A empresa por ser pequena, só se preocupa com vendas e caixa e o restante fica esquecido. Num belo dia, amanhece com a  fiscalização batendo na porta (do trabalho, da receita, do Instituto Nacional do Seguro Social, etc.) e literalmente derruba o negócio. O resultado disso, é triste, porque são gastos rios de dinheiro com advogados, contadores, despachantes, sem contar o pagamento das multas, os ajustes que poderiam ter sido realizados ao longo do tempo, enfim. O que fazer? Faça reuniões periódicas, com sua equipe e contador. Crie metas para resolver as pendencias legais. Ao final de cada reunião, deixe a próxima agendada, com os nomes dos que precisam resolver ou devolver ao grupo alguma solução. Por mais que se retarde, não cairá no esquecimento.

ESCUTE OS PROFISSIONAIS, ANTES DE ABRIR OU AMPLIAR NOVAS FRENTES – Antigamente, quando a humanidade trabalhava no modo “analógico”, era possível o empreendedor agir como um desbravador, daquele tipo que vai com um facão na mão abrindo o caminho. Esse tempo já passou e com a pandemia, está sepultado. Apesar disso, de estarmos vivendo plenamente a era digital, com os demais órgãos governamentais se comunicando e sendo auxiliados por inteligência artificial, etc., são muitos os empreendedores que vivem o romantismo de abrir uma empresa sem antes (escutar) consultar um contador, um advogado, de pesquisar o mercado, de estudar a melhor forma de abertura do negócio, em termos de enquadramento, enfim. Isso custa caro? Tem sim um custo, mas, evitar esse custo, poderá sair bem mais caro. Atualmente é preciso ter muita sorte, em abrir alguma coisa sem antes simular qual o melhor formato de negócio e ele começar da melhor forma. A competitividade muitas vezes é perdida, por conta disso. A empresa, por exemplo, é mal enquadrada quanto ao CNAE , que significa a “Classificação Nacional de Atividades Econômicas”, ou seja, é isso que categoriza a empresa. O mal enquadramento, apenas para exemplificar, vai influir até na vinculação dos seus empregados no Sindicato de Classe, logo, os salários e demais benefícios (que são baseados na norma coletiva) terão um significado, um peso nos custos operacionais. Se fosse estudado antes, poderia, quem sabe, ter sido evitado ou otimizado o enquadramento. O empreendedor precisa entender que simular, se aconselhar, etc., não significa desistir dos seus sonhos, mas apenas antever o futuro do negócio.

Marcos Alencar
Arquivo Pessoal/Marcos Alencar

Marcos Alencar é diretor geral do Instituto Êxito de Empreendedorismo, consultor do ramo trabalhista e palestrante.


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