Nada mais comum do que escutar um amigo reclamando do chefe. Quem nunca trabalhou com uma liderança que não era compatível com o padrão da empresa? Hoje em dia, não são poucos os chefes que usam sua posição na companhia para oprimir seus colaboradores porque tem consciência de que o mesmo precisa trabalhar, cuidar de sua família e pagar suas contas. No entanto, alguns líderes se aproveitam disso sob a ótica do medo, usando tais atitudes para controlar a vida de seus empregados.
Para Leila Santos, coach de comportamento humano, o colaborador precisa entender se realmente está lidando com uma chefia tóxica, para então saber como lidar com a situação. “Em primeiro lugar, é importante que você identifique quais são os comportamentos do seu gestor que considera tóxicos e se eles acontecem de forma generalizada e, não apenas com você. Gerencie as suas próprias emoções e adote estratégias para cuidar da sua saúde emocional e mental. Procure delimitar o contexto em que esse comportamento aparece na sua interação com ele e se você pode minimizar esse gatilho de alguma forma”.
O espaço para esse tipo de liderança é reflexo do cenário atual em que vivemos. Com a instabilidade econômica, algumas empresas buscam resultados no curto prazo para se manterem competitivas, sem olhar para a gestão de pessoas. “Um dos aspectos que contribuiu para o aumento da liderança tóxica em algumas empresas está relacionado ao trabalho remoto. Por falta de competências de gestão à distância e baixo nível de confiança na equipe, muitos gestores extrapolaram no micro gerenciamento e controle. A mentalidade de que funcionários longe do escritório não trabalham como deveriam, ainda é muito forte no meio corporativo. O foco no controle das horas trabalhadas, e não nas entregas, reforça ainda mais essa mentalidade”, explica Leila.
Apesar de estarem presentes em negócios de diferentes setores e portes, é mais comum encontrá-los em mercados tradicionais, em que muitas das vezes o colaborador não tem força ou não entende que está sendo liderado por uma má chefia. “Avalie se o ambiente tóxico está restrito a um gestor, uma área ou se isso faz parte da cultura da empresa. Se a empresa tem uma cultura tóxica, você precisa fazer uma escolha: pegar ou largar. Qual o seu nível de resiliência e disposição para comprometer sua saúde física e mental? A não ser que consiga desenvolver estratégias para blindar a sua emocionalidade, e não se deixar abalar pelas práticas tóxicas, não recomendo que ninguém se submeta a um ambiente de trabalho tóxico”, orienta.