Os desafios para empresas terem equipes mais produtivas, saudáveis, com diversidade, inclusão e sustentabilidade multiplicaram não somente devido à pandemia, mas graças às novas exigências da sociedade. À medida que os locais de trabalho evoluem, é crucial que as organizações revejam seus planos de saúde e benefícios, além da forma como trabalham, para acompanhar o ritmo dessas mudanças.

No Brasil, 32% das empresas pretendem implementar programas de benefícios flexíveis ainda em 2023, índice acima do que foi verificado na América Latina (23%), de acordo com a pesquisa da Mercer Marsh Benefícios “Reinventando Benefícios”, realizada com 596 empresas em 13 países que atuam em 12 indústrias na região.

Em relação aos ajustes em nível orçamentário no programa de benefícios com vistas ao retorno das atividades presenciais, a maioria dessas companhias (75%) manteve o orçamento, enquanto 22% aumentaram e 2% diminuíram o volume de recursos destinados a isso.

O estudo recomenda que, para auxiliar as empresas a compreenderem melhor as exigências atuais do mundo volátil, é necessário descobrir quais políticas e benefícios seus empregados exigem e partilhar tendências e as melhores práticas do mercado, no que se destacam os programas que permitem a escolha dos benefícios que os funcionários querem ter.

Mais benefícios, mais produtividade

De acordo com o estudo, para 60% das empresas participantes, os objetivos estratégicos dos seus programas de benefícios estão orientados para o impacto no bem-estar e saúde dos trabalhadores, com 55% reforçando benefícios para o envelhecimento nos próximos meses e 43% concedendo novos planos para acomodar diversos arranjos de trabalho (remoto, presencial e híbrido).

Por outro lado, 65% das empresas da América Latina consideram muito importante rever os benefícios com foco na Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). De fato, a revisão das estratégias de benefícios inclusivos com foco nas mulheres cresceu 12% (66% em 2021 vs. 78% em 2022), segundo a consultoria.

Na mesma linha, de acordo com outra pesquisa, a Tendências de Saúde, também feita pela Mercer Marsh Benefícios, duas em cada cinco seguradoras na América Latina vêm alterando os requisitos de elegibilidade para gerar uma cobertura mais inclusiva para a comunidade LGBTQ+.

"As empresas precisam analisar a estrutura dos benefícios de saúde e bem-estar que oferecem aos seus empregados, e avaliar o impacto nos grupos minoritários e subrepresentados. É crucial acelerar essa 'reinvenção' para oferecer mais e melhores benefícios num ambiente competitivo e diversificado", diz Rosimeire Muricy, Superintendente de Consultoria da Mercer Marsh Benefícios.

Flexibilidade, trabalho à distância e desconexão digital: a equação de bem-estar

Um dos efeitos colaterais da COVID-19, em termos de gestão de recursos humanos, é precisamente o aparecimento do trabalho remoto como solução para manter as empresas funcionando e dar sustentabilidade aos empregos de milhões de pessoas em todo o planeta. Não é, portanto, surpreendente que 50% mantenham escritórios remotos para todos os níveis hierárquicos.

Os bons resultados são claros, com 88% acreditando que a estratégia de trabalho à distância foi muito eficiente. Por outro lado, para as empresas que relataram não ter tido sucesso com o esquema de trabalho à distância, 35% indicaram que a principal razão era a falta de ligação entre o esquema de trabalho à distância e a cultura da empresa.

Em relação à desconexão digital, oito em cada dez empresas respeitam as horas de descanso dos empregados -- índice que chega a 90% no Brasil -- e 45% das empresas da região já estão avaliando as políticas desta desconexão. Isso se soma a um horário flexível, uma vez que cinco em cada dez empresas têm um horário flexível, e 95% delas irão mantê-lo indefinidamente.

“Isto indica que as empresas estão levando a sério a questão da saúde mental da sua população, embora do lado das coberturas de assistência médica ainda há um trabalho a fazer, uma vez que 17% das seguradoras não têm planos com cobre os serviços de saúde mental, segundo outro estudo da consultoria intitulado Health Trends 2023.

"Observamos uma série de necessidades que anteriormente não eram visíveis ou não geravam procura como hoje, e em resposta a isto, as organizações reagiram com soluções específicas, mas sobretudo as organizações estão levando em conta as necessidades dos empregados", diz.

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