Segundo o Observatório 2030, uma iniciativa do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), houve estabilidade no percentual médio de mulheres em cargos de Coordenação e Diretoria Executiva das empresas brasileiras. De acordo com o levantamento, 12% da Diretoria é composta por mulheres, mesmo percentual da pesquisa realizada entre 2020/2021. Nas posições de coordenação, a proporção também se manteve a mesma, com 35%.
Apesar da luta constante por equidade de gênero, no mercado brasileiro, 08 empreendedoras, fundadoras de startups e empresas com atuação em finanças, tecnologia e moda, destacam quais são os principais desafios enfrentados em suas carreiras, além de suas expectativas como empreendedoras para os próximos cinco anos e quem são as mulheres que têm como fonte de inspiração:
Qual o maior desafio que você enfrentou na sua carreira? Como conseguiu vencê-lo?
Isabela Blasi, Diretora de Novos Negócios da Indicium e Presidente do Lide Futuro SC: “Um dos maiores desafios da minha carreira foi iniciar uma empresa do zero, realizando a transição do campo jurídico para o setor de tecnologia e inovação com a fundação da Indicium. Essa decisão representou um grande teste de minha capacidade de assumir riscos e sair da zona de conforto. Para superar esse desafio, precisei utilizar minha capacidade de adaptação, resiliência e determinação, além de estar constantemente em busca de aprendizado”, afirma.
Marcella Zambardino, sócia fundadora e diretora de impacto da positiv.a: “O meu maior desafio foi conciliar a maternidade presente com a liderança de uma empresa em crescimento. Passar por essa fase só foi possível com muito diálogo com meu parceiro e sócios. A dupla jornada para mães e profissionais é bastante exaustiva, principalmente nos primeiros anos, porém estamos formando a principal força de trabalho do futuro e precisamos nos manter inseridas sobretudo para criar melhores condições de acolhimento para outras mulheres”, conta.
Nátaly Sicuro, COO da Vinho Tinta: “O maior desafio foi ter constância, não apenas nos momentos desafiadores, eles muitas vezes nos geraram até mesmo motivação, onde olhávamos como uma oportunidade de se reinventar, ter uma nova perspectiva e transformar esse desafio em uma oportunidade. Para mim, o real desafio foi o dia após dia, em que muitas vezes o futuro ainda era incerto e nós ainda estávamos na fase de executar para que no futuro os resultados surgissem”, divide a COO.
Juliene Albanesi Campos, mãe de duas filhas e fundadora da Turminha da Millie: “Definitivamente conciliar a vida profissional com a vida pessoal, principalmente em relação à maternidade. Aprender a priorizar a família, mas sem deixar de realizar meus sonhos profissionais. É um processo de entender os seus limites, equilibrar as demandas e priorizar o que realmente é importante, o motivo pelo qual queremos um futuro melhor”, confessa.
Isabela Chusid, CEO e fundadora da Linus: “Acho que o maior desafio é a Síndrome da Impostora, principalmente no início, confiar nas suas habilidades, nas suas decisões. Até chegar o momento em que você passa a acreditar no seu instinto e intuição, passa a ter tranquilidade para ocupar de fato o espaço que você está ocupando. Acho que é algo que nunca vamos superar 100%, mas aprendemos a lidar com ele”, conta.
Ingrid Barth, cofundadora e COO do Linker e presidente da ABStartups: “O maior desafio que enfrentei em minha carreira foi superar o estigma e os preconceitos associados ao ser uma mulher em um campo dominado por homens. Consegui vencer esses obstáculos mantendo uma forte convicção em minhas habilidades e valor, e através do cultivo de redes de apoio composta por mentores, colegas e outras empreendedoras. Essa rede não só ofereceu suporte durante os momentos difíceis, como também me proporcionou valiosos aprendizados, amizades e oportunidades de crescimento”, comenta.
Letícia Correia, estilista e fundadora da AVA Intimates: “São muitos os desafios, passamos por um e logo temos que superar outro. A gente esquece, porque são muitos, mas a pandemia foi um divisor de águas para a empresa, entendemos a dinâmica do mundo durante e pós-pandemia e conseguimos estruturar e mudar rotas. Nossas lojas físicas foram fechadas, abraçamos os itens de sleepwear e homewear, tanto que foi o segmento que mais cresceu dentro da empresa, muito por conta disso, além de rever todo o mix de artigos da marca”, revela.
Quais suas perspectivas como empreendedora para os próximos 5 anos?
Para a advogada e empreendedora na área de ciência de dados, Isabela Blasi “A expansão e consolidação da Indicium tanto no mercado nacional quanto internacional. Pretendo continuar buscando parcerias estratégicas, que impulsionem nosso crescimento e nos estabeleçam como líderes no setor de tecnologia de dados. Também quero contribuir para o fortalecimento do ecossistema empreendedor, liderando iniciativas como o LIDE Futuro, e inspirando outros jovens e mulheres a perseguirem seus sonhos, seja na tecnologia ou no empreendedorismo. Estou determinada a continuar essa trajetória nos próximos anos”, completa a cofundadora.
Com o propósito de transformar o futuro para as próximas gerações, Marcella Zambardino, pretende continuar gerando impacto positivo na vida das pessoas. “Como diretora de impacto, quero me especializar em nutrir e formar cada vez mais pessoas, mostrar que é possível trabalhar para gerar impacto positivo social e ambiental”, reforça.
Conectada com a arte através da pintura, Nátaly Sicuro compartilha. “Queremos abrir um pouco mais a nossa visão empreendedora para novos mercados, que promovam o nosso propósito e impactem cada vez mais pessoas de formas diferentes”.
Juliene Albanesi, quer ensinar bons-hábitos desde a primeira infância. “Tornar a Turminha da Millie referência no segmento infantil, como um todo, tanto no varejo, quanto à frente de conteúdos educativos que ensinam as crianças sobre valores positivos e a fazerem o bem”, completa.
Para a Forbes Under 30, Isabela Chusid, o caminho da empresa nos próximos cincos anos é de expansão. “Hoje em dia me considero uma empreendedora de impacto, meu grande objetivo para os próximos cincos anos é escalar esse potencial e passar a ser uma empresária de alto impacto, tanto em termos ambientais quanto sociais. E conseguir ampliar esses awareness positivo que já temos”, afirma Isabela Chusid.
Para Ingrid, membro do Comitê de Jovens Empreendedores na FIESP, a vontade é inspirar também outras mulheres. “Desejo ser uma líder que inspire outras mulheres a empreender e que contribua para um ambiente de negócios mais igualitário e diverso. Quero continuar propagando que a dignidade e independência financeira são essenciais para que haja cada vez mais equidade de gênero”, completa Ingrid Barth.
A estilista, Letícia Correia, quer ampliar o awareness da empresa. “Tenho uma perspectiva de consolidação de marca no setor de moda íntima e sleepwear, nos próximos anos quero que a AVA seja referência nesse mercado. Estamos desenhando estratégias de crescimento e investindo em governança e processos, a fim de iniciar nosso processo de expansão quanto fashiontech”, ressalta Letícia.
Quais são suas fontes de inspiração no empreendedorismo?
“Minha maior inspiração vem da minha própria casa, onde testemunhei o trabalho multidisciplinar dos meus pais e absorvi sua mentalidade empreendedora desde cedo. Também tenho inquietude e busca por desafios nata, características que moldaram a minha trajetória, que foi inspirada por Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank. Sua jornada como empreendedora mulher, desafiando o status quo e redefinindo setores inteiros, é uma grande referência para mim como empreendedora e mulher”, compartilha Isabela Blasi.
“Me inspira muito as pessoas que usam a força dos seus negócios para o bem. Trabalhar é servir à sociedade, e montar uma organização que desenvolve um pensamento crítico, engaja as pessoas a serem parte da solução e gera valor para seu entorno é um grande propósito que sigo”, revela Marcela Zambardino.
“A minha inspiração está totalmente ligada ao propósito da Vinho Tinta, que é conectar as pessoas com o momento presente através da pintura e do vinho, não teria outro caminho que me tocasse mais, e que me fizesse abdicar de tantas outras oportunidades para empreender. Fazer com que as pessoas possam praticar através das nossas experiências, a atenção plena, um momento de respiro em uma semana desafiadora, e principalmente estarem presente, é o que me inspira. Em muitas fases da minha caminhada empreendedora, em que eu tive dúvidas, se estava no caminho certo, o nosso propósito foi o que sempre nos inspirou a seguir em frente”, compartilha Nátaly Sicuro.
“Minha mãe é minha grande inspiração, empresária que fundou uma empresa líder no segmento de iluminação, sem sócios, se deslocando diversas vezes para a China, enquanto conciliava a maternidade e criação dos filhos. Vendeu a empresa para se dedicar 100% ao seu propósito de vida como voluntária no projeto social Amigos do Bem que também foi a criadora”, reforça Juliene Albanesi.
“Me inspiro muito em empresas que conseguem mudar o jogo e a realidade por meio dos seus negócios, no segmento de moda muitas marcas me inspiram como a Pangaia, Vert e Allbirds, que conseguiram de fato se tornarem referências no setor por serem preocupadas com a causa ambiental. Entendo que são empreendedores que querem causar um impacto positivo na sociedade por meio de seus negócios”, ressalta Isabela Chusid.
“Minha maior inspiração enquanto empreendedora vem da capacidade de impactar positivamente a vida das pessoas, é tudo sobre pessoas. As histórias de fundadoras que conseguiram superar as adversidades e usar seus negócios para promover mudanças significativas na sociedade me motivam a continuar buscando soluções inovadoras para os desafios que enfrentamos hoje. Além disso, sou mãe de menina, preciso continuar firme no propósito para que ela encontre um mundo mais justo e melhor quando crescer”, finaliza Ingrid Barth.
“Intimamente, quem me inspira são essas redes de mulheres de pequenas e médias empreendedoras que tenho trocas diárias e são um grande apoio. Elas me inspiram porque sabemos o quanto é difícil passar a barreira dos primeiros 5 e 10 anos de empresa, começando com pouco investimento e conciliando com a maternidade, vivemos a mesma dor e felicidade”, conta Letícia Correia.