De acordo com um comunicado da Google, 2024 é a data limite para que as empresas e profissionais do segmento de publicidade criem novas estratégias para captura de dados de seus consumidores, visto que a companhia vai encerrar seu suporte a cookies de terceiros no Chrome, navegador da empresa, decisão impulsionada pelas preocupações com a privacidade dos usuários e recentes regulamentações de proteção de dados.
Segundo um levantamento realizado em 2023 pela Wibson, startup argentina com soluções para privacidade digital, 94% dos brasileiros aceitam os cookies de maneira automática nos sites que visitam. Além disso, apenas 1% analisa e personaliza a autorização para uso de dados.
Diante deste cenário, as companhias serão obrigadas a adotarem abordagens multifacetadas para interagir e rastrear o comportamento e interesse de seus consumidores sem a utilização dos cookies de terceiros. Dessa forma, a união dos dados obtidos diretamente dos consumidores - mais conhecidos como “first-party” - com sinais contextuais próprios de cada empresa para obter uma compreensão mais profunda de cada público-alvo, se torna o centro dessa nova abordagem.
Assim, a chave para desbloquear inovações para o endereçamento de anúncios reside na colaboração intrassetorial e na priorização das preferências do consumidor. “Ao colaborar com parceiros, acompanhar as últimas tendências do mercado publicitário e investir em tecnologia e IA, as empresas e marcas podem manter uma conexão relevante com seu público-alvo e, assim, direcionar melhor os anúncios de acordo com suas preferências”, comenta Caio Machado.
Outra estratégia que pode ser considerada é a utilização de Inteligência Artificial (IA), visto que sua aplicação sobre uma base de dados permite um enriquecimento nas informações sobre os consumidores, seus processos de compra e na descoberta de potenciais clientes.
Dessa forma, torna-se essencial que as empresas invistam em soluções baseadas na tecnologia para adquirir alternativas que substituam os third-party-cookies. “Investir em soluções de Inteligência Artificial não apenas preenche a lacuna deixada pelos cookies de terceiros, mas também impulsiona estratégias mais avançadas e centradas no usuário, redefinindo o panorama da análise de dados e do engajamento do consumidor", explica André Assis.
Mas diante desse cenário cookieless, quais são as melhores alternativas estudadas até o momento? Os executivos mostram e explicam as 5 alternativas mais discutidas. Confira!
First-Party Cookies:
Essa estratégia permite que as empresas fortaleçam suas estratégias de first-party cookies, buscando obter consentimento direto dos usuários para coleta e uso de dados. Isso pode envolver estratégias como oferecer benefícios em troca do consentimento dos usuários;
Contextual Targeting:
Nesse modelo, os anunciantes podem se concentrar em direcionar anúncios com base no contexto da página em que estão sendo exibidos. Isso faz com que os anúncios sejam exibidos de acordo com a sua relevância para o conteúdo da página, sem a necessidade de rastreamento individualizado do usuário;
Server-Side Tagging:
Alternativa que se baseia em armazenar dados diretamente em servidores específicos da empresa, e não mais em cookies ou no histórico dos navegadores;
Fingerprinting Alternativo:
Essa alternativa baseada em tecnologia funciona como uma impressão digital de cada dispositivo. Basicamente, seriam coletadas informações e configurações específicas de cada dispositivo para criar identificadores de uso para anunciantes. Porém, essa alternativa também pode estar sujeita a futuras regulamentações de privacidade;
Sandbox de Privacidade do Google:
Essa iniciativa que está sendo desenvolvida pelo Google inclui o FLoC (Federated Learning of Cohorts), que realiza um agrupamento dos usuários em “cortes”, ou seja, agrupa usuários com interesses semelhantes para o direcionamento de anúncios sem o rastreamento individual.