Segundo o Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups, feito pela ABStartups (Associação Brasileira de Startups), 55% das das startups no Brasil estão atualmente em fase de operação e tração. Entre os segmentos de destaque no ecossistema estão os negócios sociais, e empreendedorismo de impacto, que visam um capitalismo consciente.
No entanto, chamar atenção no mercado não quer dizer necessariamente que caminho de criação e sustentabilidade do negócio será um mar de rosas, ou um verde mar. Há muitos desafios na jornada do empreendedor brasileiro, e quando se trata de negócios de impacto, o dia a dia traz aprendizados e necessidade de constante adaptação.
Três empreendedores que lideram startups em processo de aceleração pelo BNDES Garagem - Negócios de Impacto, contam um pouco mais dos desafios de empreender no setor. Confira!
Escolher os desafios para abraçar
"Sempre tive um perfil empreendedor, mas demorei para percebê-lo. Tive que descobrir, depois de muitos anos atrás de uma mesa e corporativismo que, meu lugar de destaque eram em projetos que resolviam uma dor e tinham impacto direto na vida das pessoas. Depois de largar tudo e abraçar uma ideia, me dediquei genuinamente a resolver a falta de perspectiva e renda de trabalhadores informais, assim como meu pai, que foi entregador. Entendendo dia após dia com perdas e ganhos, hoje, a Trampay está presente em mais de 170 municípios, em 19 estados e com mais de 5 mil clientes correntistas", conta Jorge Júnior, fundador e CEO da Trampay.
"No final de tudo, empreender no Brasil, na minha visão, é escolher os desafios que se quer abraçar. Sem recursos muitas vezes, sem a compreensão e aprovação de todos, doar ao máximo o talento necessário e capacidade de trabalho para resolver problemas. Não todos, mas aqueles que mais merecem atenção", completa.
Ouvir feedbacks e colocá-los em prática
Para quem empreende, um feedback pode virar o jogo. Por isso, acompanhar as necessidades do mercado e saber a hora certa de aprimorar a solução é essencial.
“Decidir começar uma startup tem sido um grande desafio, pois as incertezas de um modelo de negócio ainda não validado gera uma série de questionamentos, pressão interna e necessidade de execução de modo rápido. No começo é importante para o sucesso do negócio estar próximo dos usuários que possam dar feedback, de mentores, além de uma rede orgânica do ecossistema de empreendedorismo. Neste grande desafio que muitas vezes é moroso porque é um vai e vém que leva tempo precioso de trabalho, estar participando do BNDES Garagem tem ajudado bastante no conhecimento sobre negócios de impacto, acesso aos mentores, gestores de aceleração e abertura para validação da solução junto aos parceiros do programa”, explica Sávio Carnaúba, co-fundador da Alpha D.
Mensurar e aprender com os resultados
Gestão e medida dos resultados estão entre as principais dores de quem decide começar um negócio. Quando se trata de impacto social, as métricas podem ser ainda mais desafiadoras.
“Uma grande dificuldade de empreender neste setor é justamente conseguir mensurar e estruturar de forma estratégica o impacto gerado pelo negócio. Nesse caminho, os mentores ajudam em várias frentes para fazer o negócio crescer ao mesmo tempo que gera impacto social. Isso tudo nos ajuda a profissionalizar a gestão e as ações de impacto dentro do nosso propósito e missão como empresa. Fazer conexões que façam sentido para o negócio, com todo o ecossistema também é muito importante, é outro ponto positivo do programa que está nos ajudando muito a ter um olhar 360 para continuar escalando”, completa Danilo Gimenes, CEO da DNA Financeiro.