No ano que passou os Estados Unidos registraram mais de 24 milhões de pedidos de demissão entre abril e setembro, um dos números mais altos dos últimos anos. Outros países também ricos e desenvolvidos, como Alemanha e Japão, também percebem o movimento. Segundo especialistas em carreira, a razão é a pandemia, responsável pelo aumento nos processos de exaustão e por uma deterioração da saúde mental de pessoas em diferentes países.

“Além de impactos na saúde mental que chegou com a pandemia, as pessoas começaram a se questionar sobre valores pessoais e a relação com o lado profissional. Essa empresa tem flexibilidade de local de trabalho e horário? Leva em consideração a saúde mental do funcionário? Como é feita a gestão? Existe uma cultura forte? É uma empresa que é diversa nas contratações? Esses são alguns questionamentos que os profissionais fazem hoje em dia antes de aceitar uma vaga e isso muda todo o cenário. Antes as empresas ditavam as regras, mas hoje o profissional também pondera”, explica Jorge Martins, CEO da Bullseye Executive Search , empresa especializada em recrutamento e seleção de carreiras.

De acordo com estudo Tendências Globais de Talentos 2022 do LinkedIn, quase 50% dos colaboradores desejam que as empresas construam uma cultura que priorize a flexibilidade. Além disso, os profissionais entrevistados também destacaram a importância de desenvolvimento profissional (59%), saúde mental e bem-estar (42%), treinamento de gestores para liderança de equipes remotas e híbridas (35%) e diversidade e inclusão (26%).

A pesquisa mostra que funcionários que trabalham em empresas que oferecem flexibilidade de horário e local de seus trabalhos têm quase 2,5x mais probabilidade de se sentirem satisfeitos e cerca de 2x mais chances de recomendar a empresa para outras pessoas.

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Um sinal de que as empresas estão atentas a isso é que a oferta de vagas que mencionam flexibilidade no LinkedIn subiu 83% desde 2019. “Esses dados deixam mais do que evidente que as pessoas estão engajadas no assunto e que, cada vez mais, passam a cobrar as companhias por ações neste sentido”, afirmou Milton Beck, Diretor Geral do LinkedIn para América Latina.

A pesquisa reflete a prática do dia-a-dia. Nas entrevistas realizadas pela Bullseye Executive Search quase 100% das pessoas que estão em processo seletivo preferem o trabalho completamente remoto ou em formato híbrido, com ida ao escritório no máximo duas vezes por semana.

“As empresas entenderam que oferecer a opção de trabalho remoto é cada vez mais necessária para que possam continuar competitivas e atraentes para os profissionais qualificados”, observa Jorge, complementando que muitas vezes essa é uma realidade distante para muitas pessoas.

“Tem vagas que não se pode trabalhar de forma remota e muitas pessoas também não têm o privilégio de argumentar isso na negociação de uma vaga. Então estamos falando de uma camada social com mais privilégio, mas que tem grande peso dentro das empresas e que se não tiverem suas demandas atendidas vão para outras corporações,”, finaliza Jorge.

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