Realizada anualmente na última sexta-feira de novembro, a Black Friday é considerada uma das datas mais movimentadas do comércio brasileiro, atraindo um número cada vez maior de consumidores. Para Roberto Kanter, professor dos MBAs da FGV e especialista em marketing, as vendas online deverão mais uma vez se destacar. "O modelo de negócios que se consolidou na pandemia deverá continuar mesmo após a abertura do comércio de rua e dos shoppings", afirma Kanter. Ele explica que as soluções integradas para compras em lojas físicas e digitais, que foram diversificadas e ganharam força com a crise sanitária, continuarão em alta.
Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em Gestão Financeira da FGV, afirma que a melhor maneira de aproveitar as ofertas é comparar preços. "É importante saber "garimpar", verificar quais sites e lojas oferecem o melhor custo-benefício", ensina. No entanto, com relação a compras online, ele alerta os consumidores que prestem atenção ao valor do frete. "Às vezes o preço do produto está interessante, mas o frete é levado. A diferença do valor pago no produto acaba sendo embutida no frete", avalia. Outra recomendação é comprar apenas em sites confiáveis, como forma de aumentar a segurança com relação à entrega, à necessidade de troca e até mesmo a uma possível devolução justificada, em que o consumidor precise receber o dinheiro de volta.
Para evitar as compras por impulso, ele aconselha o consumidor a fazer uma lista do que efetivamente pretende comprar e comparar os preços na Black Friday com os valores anteriores à data. "Muitas pessoas adquirem determinado produto apenas por ouvirem falar que o preço está descontado, sem questionar se efetivamente ele caiu. Se não tiver ocorrido a queda, é melhor postergar a compra e ficar com o dinheiro em mãos".
Apesar do sucesso no país, a consolidação daBlack Friday no calendário varejista brasileiro ainda depende da credibilidade das empresas, já que nem todos os descontos oferecidos em produtos e serviços são reais. "Há empresas que aumentam para depois darem desconto, criando preços artificiais", explica Roberto Kanter.
O fato de a data antecipar as compras de Natal torna difícil manter as vendas em dezembro, levando alguns varejistas a escolherem certas categorias de produtos para colocar em oferta. "Se o varejista perceber que não conseguirá repor determinados produtos a tempo do Natal, e que nesta época poderá vendê-los a preço cheio, não faz sentido ele oferecer um desconto agressivo na Black Friday", explica Kanter.