Atualmente, tem sido bem comum ouvirmos falar sobre alguém que tenha um filho/a autista. Muito mais comum do que há alguns anos. É importante, no entanto, ressaltar que Autismo não é rótulo. Os avanços tecnológicos mudaram rapidamente e existe uma diversidade entre seus tipos – daí chamarmos de Síndrome do Espectro Autista - sem contar que, cada ser humano traz dentro de si as próprias peculiaridades de vida, um tipo de educação e possibilidades de tratamento.

O código genético de um indivíduo autista é absolutamente complexo. Encontram dificuldades com relação à comunicação social, reconhecimento facial, mas também e muito, a hipersensibilidade sensorial que, em muitos casos, pode ser debilitante e para outros mais moderada. Essas características dificultam muito as atividades familiares ou mesmo de emprego. Na atualidade, existem funções nas quais essas pessoas desenvolvem seu trabalho monitoradas por tutores, que as ajudam em caso de necessidade.

Compreender como o pensamento funciona é decisivamente um passo importante para a família e para a criança/jovem ou mesmo adulto. A neuroimagem auxilia muito nesse aspecto através de ressonâncias magnéticas, que vêm melhorando pela qualidade e eficácia nos resultados. Além disso, não é fácil definir os marcadores para o TEA: geneticistas correm atrás de avanços quanto ao DNA e continuam a eclodir no mundo científico e acadêmico incontáveis pesquisas. A conceituada e reconhecida Mary Temple Grandin (psicóloga e zootecnista americana com autismo), em coautoria com Richard Panek, discorre em seu livro “O Cérebro Autista - pensando através do espectro” (1a . Edição 2015 – Editora Record - Rio de Janeiro RJ), os aspectos acima. Ali é enfatizado que, apesar de toda evolução que já houve, os diagnósticos, por vezes, vêm da Psiquiatria para a Neurologia.

O ideal seria que o diagnóstico fosse fechado por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, para que esse indivíduo pudesse ser olhado de maneira global, descartando outras patologias.

Existem alguns critérios baseados em padrões de comportamento, interesses, falta de expressão facial, dificuldades em entender relações sociais, movimentos repetitivos e estereotipados, balançar e alinhar objetos, entre outros.

Os autores enfatizam que o uso medicamentoso, muitas vezes pode minimizar sintomas ansiosos, porém, não existe um padrão. Cada situação indicará o melhor para a adaptação social.

A Lei 12.764/2012 – Lei Berenice Piana – abriu as portas para o reconhecimento do Autismo, dentro do rol das demais deficiências. Desde então, tem sido muito discutido e diagnosticado no país. Ainda assim, não incomum, terem que entrar com processos para que pessoas com a Síndrome de Asperger (Nível I do Espectro Autista), sejam admitidas para vagas em concursos públicos.

O mundo corporativo, geralmente, vem abrindo uma gama de oportunidades em vários locais para o Nível I do Espectro Autista, especialmente na área de tecnologia, com trabalhos de excelência.

Sugerimos a leitura do livro “Olhe nos meus olhos, rapaz” – Minha vida com a síndrome de Asperger – John Elder Robson (disponibilizado gratuitamente pela LeLivros.site). Sua biografia narra vivências fortes de violência doméstica, discriminações e preconceitos, até que se tornasse um alto executivo no ramo de jogos eletrônicos. Emocionante ver quantos estereótipos teve que enfrentar, como seu jeito robótico, desajeitado, expressões rígidas, quase sempre sem sorrir e sem conseguir entender o sofrimento alheio. Vivenciou grande sofrimento psíquico.

Você viu?

Embora alguns indivíduos possam se tornar grandes cientistas, compreender problemas complexos e/ou ter dons raros musicais, nem sempre é assim que as coisas sucedem. Não é incomum cidadãos que só se dão conta do que têm com 30, 40 anos.

Dados do IBGE apontam que 85% das pessoas com Espectro Autista estão fora do mercado de trabalho. Um grande desafio a ser vencido!

O empregador que tenciona tê-los como colaboradores poderá ter grandes ganhos, desde que se atentem a alguns aspectos, quanto ao local, modo de trabalho, adaptações, preparo da equipe, respeito e conhecimento acerca do Espectro. Importante que as tarefas demandem alta concentração, baseadas nas melhores habilidades da pessoa. Dentre algumas, podemos citar: habilidade em lidar com questões lógicas e matemáticas; inclinações para serviços visuais; maior disposição para atividades repetitivas que possam manter uma rotina diária; trabalhar com conceitos rigidamente definidos; habilidades em lembrar fatos a longo prazo. Além disso, costumam ainda desenvolver características e artísticas com desenvoltura.

O Banco Itaú, em parceria com a Specialisterne, contrata autistas grau leve (alta funcionalidade), com grandes conquistas, em tecnologia de informação.

Do mesmo modo, a SAP, multinacional de software, possui um Programa Específico nesse tipo de contratação, com excelentes resultados.

Ainda há muitos caminhos, de admissibilidade para autistas, contudo, deverá existir, desde a escola, um melhor entendimento e luta, para que essas pessoas sejam preparadas para o futuro.

Muitas famílias, abraçam a causa de seus filhos, mas ainda há falta de entendimento e respeito à condição do Autista, para que, se possível, ingressem numa Faculdade e tenham os mesmos direitos e oportunidades, comparados a outras pessoas com deficiência. Pensem sobre...

“O autismo é parte deste mundo, não um mundo à parte” Educando em La Vida

Maria do Carmo Tirado é Psicóloga e obstetra
Divulgação

Maria do Carmo Tirado é Psicóloga e obstetra



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