As particularidades da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ainda são muitas. A adequação não é opcional, já que ela tem como principal objetivo garantir a segurança das pessoas, mas quanto antes as empresas se adequarem, maior será o diferencial delas no mercado.
Não importa o tamanho ou estrutura da empresa, todas devem estar por dentro das exigências previstas pela LGPD. Agora, quando o foco são as startups, por exemplo, pouco importa o volume dos dados coletados, e sim o olhar criterioso para com os dados sensíveis. Além da multa prevista pelo descumprimento da Lei, que pode chegar a 2% do faturamento, existem outras sanções que a empresa pode ser enquadrada.
Seguir as regras da forma correta, além de garantir aderência à legislação em vigor, ajuda a proteger a imagem da empresa, já que uma das possíveis sanções da lei é assumir publicamente que houve o vazamento de dados”, explica Alexandre Sgarbi, diretor executivo da Consulting At dentsu, especializada em consultoria e soluções de negócios e tecnologia.
A proteção de dados tornou-se uma das principais preocupações da Allya, HR tech com foco em benefícios corporativos e bem-estar financeiro, que apresenta uma média de 34 mil parceiros e mais de 300 mil usuários cadastrados em sua plataforma. “Um dos maiores desafios ao longo da adaptação, é ter que focar na criação de novos processos ao invés de evoluir o roadmap do nosso produto, o que acaba engessando a operação. Em julho de 2020 temos uma consultoria especializada em LGPD, que nos informa sobre qualquer mudança e boas práticas referentes à iniciativa”, diz Leandro Panegassi, CTO da Allya.
Você viu?
Entre as ações implantadas pela startup, encontram-se o Comitê de Segurança da Informação, treinamento de colaboradores sobre a segurança de dados e hospedagem de toda a infraestrutura no Cloud.
Já a DevApi, startup de integração de sistemas, aplica as normas da LGPD desde novembro de 2020. “O nosso core-business é justamente a automação de dados, por meio da tecnologia de Application Programming Interface (API), e uma das dificuldades que superamos foi o registro do tipo de consentimento para que o tratamento do dado respeitasse a obrigatoriedade”, explica William Hoffmann, CTO da DevApi.
Atualmente, a marca utiliza as estruturas de Cloud da AWS e Azure e trabalha com o sistema de segurança WAF, capaz de monitorar, filtrar e bloquear automaticamente o tráfego de dados potencialmente maliciosos. O recurso também realiza a prevenção de ataques sofisticados e direcionados, que podem resultar em fraude ou roubo de dados.
Focada na aceleração de vendas online, o Hub de Integração e Automação em marketplaces, Magis5, iniciou o processo de adequação à legislação em junho de 2020. De acordo com o COO da startup, Cláudio Dias, foi necessário um estudo aprofundado para entender os impactos no negócio. “Criamos um plano de contingência, indicando as ações que deveriam ser tomadas em caso de vazamento de dados, bem como as pessoas responsáveis pelas medidas. Além disso, realizamos treinamentos com todos os colaboradores, apresentando os principais tópicos e responsabilidades da LGPD. Também criamos um comitê interno, que se reúne uma vez por mês, para discutir o tema e pensar em novas medidas”, explica.
Para a plataforma que conecta profissionais de TI e empresas, Vulpi, também teve que enfrentar desafios para adequação. Henrique Esteves, COO da startup, comenta sobre dois pontos importantes no processo, entre eles, o consentimento, já que a Vulpi utiliza dados dos desenvolvedores para o processo de intermediação do processo de R&S e, claro, muitos destes dados são sensíveis. “Com isso, tiveram que refazer todo nosso material jurídico para que de forma ainda mais veemente e clara para o desenvolvedor. Outro ponto foi o armazenamento, visando principalmente a resolução de qualquer conflito ou problema. De modo geral a adaptação ainda está presente uma vez que todo o processo é complexo e exige a conexão de diversas áreas e pessoas”, reforça Esteves.