Esse artigo está baseado na minha vivência do dia a dia, como pessoa com deficiência física, que no transcorrer da minha vida, trabalhei em Banco, fui secretária, trabalhei no Ministério Público de São Paulo e, por fim, no Tribunal de Justiça de São Paulo, onde sofri o preconceito de um Escrivão, que não me dava uma Chefia, sob alegação de que eu dava prejuízo ao Estado.

Na atualidade, temos a LBI (Lei Brasileira de Inclusão de Pessoas com Deficiência) que nos protege contra essas pessoas preconceituosas.

A LBI, nº 13.146/2015 (também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência), traz os diversos direitos de Pessoa com Deficiência em várias questões, como saúde, educação, moradia e trabalho.

De acordo com a Lei de Cotas Nº 8.213, de 24 de julho de 1991, todas as companhias privadas com mais de 100 funcionários têm o dever de contratar pessoas com deficiência. A legislação prevê que o número de cargos preenchidos por indivíduos com tais limitações seja entre 2% e 5% do quadro de colaboradores.

Essa lei foi adotada no Brasil, dando a população com deficiência acesso ao trabalho e, com isso, possibilitou sua efetiva inclusão na sociedade. Assim, por meio da prática da observância da lei de cotas, as empresas exercitam também, seu papel social, para além do cumprimento da lei. Ao promover a inclusão de pessoas com deficiência em seu quadro de funcionários, a empresa estará auxiliando essas pessoas a ganharem mais autonomia e independência financeira, ajudando-as a melhorar sua autoestima.

A empresa passa a ter uma responsabilidade social, garantindo o respeito aos direitos de Pessoa com Deficiência. Além disso, essa é uma ótima forma para a equipe aprender a lidar com as diferenças e trabalhar estigmas e preconceitos.

A empresa precisa adaptar os seus espaços para receber essas pessoas com deficiência, nos seguintes itens:

Acessibilidade no espaço físico

As pessoas precisam se locomover livremente e conseguir realizar suas tarefas, com espaço amplo para cadeiras de roda, rampas, portas largas e banheiros adequados, no caso de colaboradores cadeirantes; pessoas que saibam se comunicar em LIBRAS para auxiliar os surdos; leitores de tela e documentos em braile para os deficientes visuais, entre outros.

Treinamento das pessoas com deficiência e sem deficiência

Todos os funcionários deverão participar das mesmas atividades e terem as mesmas orientações, com a finalidade de uma interação de convivência integral de ambas as partes. Claro, sempre levando em consideração as individualidades e características de cada um.

Conhecer e acreditar no potencial

As Empresas precisam enxergar o profissional com deficiência como um colaborador de grande potencial como qualquer outro funcionário sem deficiência.

Acompanhamento dos colaboradores com deficiência

Você viu?

Os gestores precisam ouvir os profissionais com  deficiência,    auxiliando-os nas suas dificuldades, dando espaço para que eles deem opinião e  sugiram, se necessário, aquilo que precisa ser melhor adaptado.

Conceitos importantes para a convivência inclusiva

Capacitismo - é a forma preconceituosa de ver pessoas com deficiência. O preconceito faz considerá-las incapazes, de maneira discriminatória e opressiva. Impede a construção de uma convivência inclusiva e tem como base a visão de inferioridade sobre as pessoas que têm características corporais e mentais/cognitivas diferentes do mais frequente e considerado normal. O capacitismo está para as PcDs como o machismo está para as mulheres e o racismo está para pessoas com outras cores de pele, que não a branca.

Acessibilidade - O termo está ligado à concessão de acesso aos mesmos bens e serviços para qualquer pessoa, facilitando a convivência inclusiva. Representa conquistas ocorridas ao longo do tempo, ligadas às mudanças de atitude da sociedade perante as pessoas com deficiência.   Existem vários tipos de acessibilidade, indispensáveis para uma sociedade igualitária: arquitetônica, atitudinal, tecnológica, informacional, comunicacional, linguística, pedagógica, dentre outras.

Viés Inconsciente - Conjunto de estereótipos que mantemos sobre diferentes grupos de pessoas (ligados a gênero, raça, classe social, orientação sexual, idade, estética padrão etc), a partir de situações e experiências que vivenciamos ao longo da vida. Os vieses não são intencionais, são baseados nos preconceitos e crenças culturais. No entanto, formam uma barreira invisível e muito poderosa que dificulta o avanço da diversidade e da inclusão na sociedade.

Além de tudo isso, é bom termos sempre claros que, antes de mais nada, o mais indicado em relação a qualquer pessoa com deficiência, perguntar antes de tentar qualquer ajuda: “posso ajudar você?”, “você precisa de ajuda?”, “como eu posso te ajudar?”.

Deixo aqui um pensamento de superação para as Empresas:

“Somos capazes, somos fortes porque sempre buscaremos atravessar os nossos limites diários, independente de estarmos numa Empresa ou não.

Deem-nos essa oportunidade - a nós, pessoas com deficiência. INCLUA-NOS em sua Empresa”.

Fontes:

www.jusbrasil.com.br

www.camaradainclusão.com.br

www.conquistahconsultoriapsicologica.com  -  Projeto “O Caminho a Seguir” – Cartilha – em Construção

Eliana Conquista é consultora e psicóloga
Divulgação

Eliana Conquista é consultora e psicóloga



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