Muito se engana quem pensa que os benefícios dos jogos se limitam ao entretenimento e diversão das pessoas. Com um público cada vez mais conectado e com novas necessidades surgindo a todo momento, as empresas têm buscado maneiras diferenciadas para se tornarem mais competitivas e atraentes para reter talentos. Neste contexto, uma palavra que tem ganhado as graças de muitas lideranças e profissionais de RH é a "gamificação", que consiste em trazer os elementos de jogabilidade, design, repetição e recompensa presentes nos games para outras realidades. A prática tem sido tão interessante que, segundo um estudo realizado pela P&S Market Research, o segmento - também conhecido como ludificação - deve atingir um faturamento de US$ 22 bilhões até 2022.
"Um jogo, de maneira geral, trabalha diversos aspectos de uma pessoa, trazendo à tona a capacidade de trabalhar em equipe, formas de progresso, sensação de dever cumprido, recompensas e, claro, muita diversão durante o processo. E é justamente isso que os mecanismos de gamificação buscam para diversas realidades: proporcionar elementos para alavancar o senso de desenvolvimento, ganho de recompensas, feedbacks constantes e ainda a criação de uma comunidade colaborativa dentro das empresas", afirma Pedro Iglesias, sócio e business development manager da Team Upp , consultoria especializada em engajamento e bem-estar gamificados investida pela Tapps Ventures .
A gamificação consiste em colocar um videogame na sala de descompressão dos colaboradores
Mito. A prática, na realidade, é uma forma de utilizar os mecanismos mais conhecidos dos jogos para transformar uma outra atividade. Portanto, o método busca aplicar recursos como designs mais interessantes, barras de progresso, feedbacks constantes, pontuações e feeds de atividades. Essa é uma forma de transformar algo mais denso e com pouco apelo emocional em uma prática mais divertida, a fim de auxiliar na retenção dos aprendizados.
"Esses elementos podem ser aplicados em diferentes processos dentro do ambiente corporativo, que é onde o uso de soluções gamificadas mais cresce, com taxa de 47% ao ano. Na Team Upp, por exemplo, já rodamos soluções gamificadas de treinamentos para vendas, onboardings e programas de bem-estar e integração em parceiros como Ambev, Vivo e Sabesp", comenta Pedro.
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A prática não muda em nada a produtividade dos colaboradores
Mito. De acordo com uma pesquisa realizada em 2019 pela TalentLMS, 88% dos respondentes afirmaram que o recurso torna o ambiente de trabalho mais feliz e agradável, e 89% acreditavam que o serviço seria muito mais interessante e atrativo se fosse similar a um jogo. Portanto, quando aplicamos elementos de jogos nesses casos, não só a atenção do colaborador foca na atividade proposta, como também a deixa persuasiva, de fácil entendimento e proporciona uma troca rica entre as equipes.
A prática pode impactar diretamente nas estratégias de Employer Branding de uma empresa
Verdade. Quando a gamificação é aplicada de forma correta e aliada a um propósito claro em atividades como onboarding, programas de bem-estar e treinamentos corporativos, permite que os colaboradores se tornem os verdadeiros protagonistas de suas jornadas. Não à toa, grandes corporações como Google, AstraZeneca e Spotify, têm adotado a prática em suas rotinas de trabalho. Estatísticas mostram que na gigante tecnológica, por exemplo, o Employee Compliance atingiu 100% dos colaboradores após o programa Travel Expense System, baseado em gamificação.
"As estatísticas mostram que as organizações estão usando a gamificação não apenas para fortalecer o envolvimento dos funcionários no trabalho, mas também para maximizar as vendas. O aumento no número de empresas que alcançaram altos ROIs devido à prática é a prova de seu impacto positivo nos negócios", finaliza Iglesias.