Provavelmente o maior vilão que compromete a conclusão de um curso universitário atualmente é a “EVASÃO ESCOLAR”, esse fenômeno prejudica terrivelmente tanto aos estudantes como as instituições de ensino públicas ou privadas. A intenção deste artigo é provocar uma reflexão sobre os principais fatores que provocam a Evasão e apontar algumas sugestões para combater esse fenômeno.
Certamente um dos principais fatores que provocam a Evasão Escolar é a incapacidade financeira em custear o curso universitário, principalmente considerando o fato de que a maior parte dos estudantes universitários são derivados da rede privada.
As estatísticas apontam que os incentivos governamentais relativos a financiamentos estudantis têm sofrido drásticas reduções nos últimos anos, fato que agrava ainda mais a incapacidade financeira.
Outro fator decisivo que vem estimulando a Evasão Escolar é justamente a desconexão entre o conteúdo abordado em sala de aula com a vida do estudante após a faculdade, ou seja, como que o conteúdo que está sendo trabalhado em sala será útil ao graduado em aspectos como finanças pessoais, networking e principalmente, no tocante à melhor performance em sua carreira ?
O tema da Evasão Escolar ultimamente tem ganhado ampla repercussão no cenário acadêmico. Desde 2019 o movimento estudantil americano vem conquistando certo protagonismo envolvendo o tema.
O Conselho de Educação dos Estados Unidos neste mês finalmente admitiu a formação de uma aliança envolvendo várias universidades americanas para elaboração de novos currículos, sendo que elaborados prioritariamente por alunos, abordando questões como acesso e retenção ao ensino superior. Tal aliança foi batizada pelo nome de REP4, significa “prototipagem de educação rápida”.
Entre os argumentos expostos pelos envolvidos no projeto pode-se destacar o fato de que “os alunos precisam sentir que são donos de seu próprio aprendizado, mas muitas vezes as práticas e requisitos tradicionais inibem sua participação”, segundo a presidente da San Jose State University, Mary A. Papazian, a mesma também acredita que “o REP4 capacitará os alunos a criar um clima no qual todos tenham um sentimento de pertencimento”.
No mesmo sentido sustenta o próprio presidente do Conselho de Educação dos Estados Unidos, Ted Mitchell, “os alunos que geralmente são menos ouvidos, são aqueles que têm menos posição e menos privilégios no sistema do que outros. Esta é uma tentativa de realmente criar instituições por, para e com esses alunos”.
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Fato que chama bastante atenção em todo esse processo é que os estudantes não participam do planejamento das novas bases curriculares de forma completamente imatura, pois antes de compor os grupos de trabalhos recebem estímulos e capacitações sobre o método design-thinking e empreendedorismo.
Os dois primeiros protótipos curriculares já estão sendo testados no estado de Grand Valley. O primeiro é uma aula de preparação para a vida, que ensina habilidades em torno de alfabetização financeira, rede e estrutura acadêmica.
O segundo protótipo envolve um currículo destinado a conectar o que os alunos aprendem em sala de aula com possíveis planos de carreira.
Particularmente, acredito que essa experiência também se mostra muito útil para o Brasil, especialmente no tocante a “alfabetização financeira”, pois a inabilidade de planejamento financeiro se revela como o maior obstáculo que afeta os estudantes universitários, principalmente pela falta de conhecimento prático para lidar com o dinheiro até mesmo no núcleo familiar, da mesma forma em relação ao “plano de carreira”, pois as estatísticas demonstram que a grande maioria dos graduados no Brasil não trabalham em suas áreas de formação acadêmica.
Nós no Brasil temos uma forte tendência de incorporarmos boa parte da cultura americana, quem sabe poderíamos ter iniciativas como essa, direcionada a montar bases curriculares destinadas a compreender e implementar formações realmente direcionadas aos anseios dos alunos ?
Apesar de todo o “engessamento regulatório” que envolve os currículos universitários acredito que poderíamos adaptar essa discussão à educação brasileira, combatendo a terrível Evasão Escolar e provocarmos uma grande disrupção.
André Paixão é mentor de Jornadas Disruptivas, criador do Programa More-MBA e Sócio Conselheiro do Instituto Êxito de Empreendedorismo