Cada pessoa tem um perfil comportamental, uma história de vida, crenças e valores que fazem com que as interpretações em relação ao que é dito e ao que acontece sejam completamente diferentes. Não aprendemos a nos comunicar de uma forma correta e por isso enfrentamos muitos conflitos.
Quantas vezes você percebeu que seu cônjuge ou seu filho interpretou de forma errada o que você disse? As vezes você só quer que o filho se alimente e ele acha que você está invadindo a privacidade dele, dando ordens. Outras vezes você só precisa que te ajudem no cuidado com a casa ou carro e quando fala algo, o conjugue diz que você reclama demais ou precisa se acalmar.
E na empresa, você precisa que o seu time se empenhe para atingir as metas, mas eles não estão fazendo o que você gostaria que eles fizessem.
Experimente algumas dicas para diminuir os ruídos e os conflitos:
Pratique a escuta ativa. Dialogar é essencial, para um bom diálogo priorize escutar sem estar já pensando no que vai falar depois. Silencie sua mente, olhe nos olhos do outro, perceba a emoção contida na fala.
Evite os sabotadores da escuta:
- Interromper a conversa causa quebra de raciocínio e pode gerar a raiva.
- Aconselhar, mesmo na intenção de ajudar, deve ser evitado porque as vezes, a pessoa só precisa falar para que, no meio da sua fala, encontre sozinho a solução.Talvez, seja até a que você queria dar.
- Competir com o sofrimento, mesmo que você tenha uma experiência semelhante, a dor do outro é dele e só ele sabe a intensidade, deixe que fale e coloque para fora o que está sentindo.
- Consolar, cuidado, pode parecer que você está minimizando o sofrimento que ele está passando.
- Contar uma outra história, da mesma forma que os outros itens, antes de ouvir tudo, evite fazer afirmações que podem estar relacionadas a projeções de algo seu.
Seja curioso e faça muitas perguntas
Adote a postura “e” que é aceitar que existem múltiplas versões para uma mesma história (a sua e a dos envolvidos)
Ao fazer um pedido, use a comunicação não violenta observando as emoções, identificando as necessidades e fazendo um pedido
A Comunicação não violenta desenvolvida pelo psicólogo Marshall B. Rosenberg é uma forma de se comunicar onde passamos a refletir sobre as nossas necessidades e sentimentos, identificando o que está contido em cada fala. O objetivo é gerar empatia de forma que consigamos sentir o que o outro sente e transmitir o que realmente estamos precisando. Em seu livro “Comunicação não violenta”, ele diz:
“Nossas palavras, em vez de serem reações repetitivas e automáticas, tornam-se respostas conscientes, firmemente baseadas na consciência do que estamos percebendo, sentindo e desejando.” – Marshall B. Rosenberg
Use 4 princípios práticos da comunicação não violenta:
Observação
Observe o que está acontecendo de fato, sem julgamento e sem juízo de valores. Quando combinamos observação com avaliação, aquele que nos escuta tende a receber isso como uma crítica.
Você viu?
Sentimentos
Identifique o que está sentindo em relação ao que observa. Dê nome a emoção: raiva, frustração,tristeza,medo,angústia etc. Quando expressamos a nossa vulnerabilidade geramos mais empatia.
Necessidades
Informe a sua necessidade, valores e desejos que estão conectados ao sentimento que identificou. Quais as necessidades que te fizeram se sentir dessa maneira ? Pense e comunique claramente ao outro.
Pedido
Peça o que deseja de forma concreta para que atenda as suas necessidades.Não espere que o outro entenda o que você precisa. Ao pensar para pedir você terá mais consciência do que está sentindo e realmente precisando. As vezes, nem sabemos o que realmente queremos que o outro faça, essa reflexão vai ajudar muito.
Exemplos
Ao invés de dizer: “Você é um bagunceiro, olha só o que você fez!!”
Experimente: “Fulano, quando eu vejo essas roupas espalhadas em seu quarto, eu me sinto frustrada por ter arrumado e ver meu trabalho desfeito, você pode guardar essa roupa no armário?”
Ao invés de: “O projeto está muito atrasado, somos incompetentes !!”
Experimente: “Quando eu comparo o prazo que temos e as tarefas que precisamos fazer, sinto que se continuarmos com a mesma estratégia, o projeto não será entregue no prazo. Temos essas x tarefas para cumprir até a data x. Precisamos fazer um plano para administrar essas entregas. Tenho as idéias x e y que talvez ajudem a cumprir o prazo e gostaria de ouvi-los sobre outras que podemos implementar para que consigamos fazer o que precisa ser feito até a data y. Nesta data iremos reavaliar a estratégia novamente.Vamos agendar a reunião na data x onde sairemos com o planejamento pronto para ser executado e acompanhado”.
É um desafio, precisamos sair do automático e pensar antes de falar, mas com a prática se tornará um hábito e você terá muito mais colaboração das pessoas.
Por traz de cada comportamento tem uma necessidade a ser atendida. Se estivermos atentos a isso e liderarmos nossa mente, nossa fala e nossa escuta, conseguiremos o que queremos sem ferir e ser ferido.
Além disso, você pode conhecer o seu perfil comportamental e o das pessoas que estão em volta de você. Isso vai te ajudar a identificar os seus pontos de melhoria, seus pontos fortes e como você pode usa-los para se conectar com as pessoas. Saber o perfil das pessoas com quem você precisa contar em seus projetos ou precisa conviver, também ajudará a obter o melhor de cada um. Para saber mais sobre isso veja: PORQUE A ANALISE COMPORTAMENTAL PODE TE AJUDAR A AUMENTAR O SEU PODER PESSOAL.
Para saber mais compre o livro "Comunicação não violenta" Marshall B. Rosenberg
Sandra Carnevali é analista comportamental disc e 360, Business, Executive e Agile Coach, coach de líderes, times, carreira e projeto de vida no século XXI.