Ano de 1999, eu estava jogando pelo Atlético-MG emprestado pelo São Paulo FC.

No primeiro semestre, havíamos ganhado o campeonato mineiro. Com méritos. Na raça. Eu jogava como volante, o camisa 8 do time. Marquei alguns gols no torneio e acabei sendo eleito um dos craques do campeonato.

No Campeonato Brasileiro daquele ano, aproveitando a minha fase artilheira, meu treinador me improvisa na posição de meia-direita e me dá a camisa 10 do time, que é o cara responsável pela armação das jogadas, pela criatividade. Vivia uma das melhoras fases da minha carreira. Numa noite, a caminho da locadora para alugar um filme, sofri um grave acidente de carro. Fiquei 60 dias sem jogar.

Mesmo sem me recuperar 100%, volto ao time para os jogos decisivos do campeonato. Me superei e ajudei o time a chegar até a grande final. Fui eleito o melhor jogador do Brasil na posição de meia-direita, mesmo jogando de maneira improvisada. Não fomos campeões, mas fomos reconhecidos pela luta, pela garra e pela determinação de chegarmos até a final.

Logo, em janeiro 2000, eu volto ao São Paulo FC, trazendo na bagagem o vice-campeonato brasileiro e o troféu de melhor meia-direita do país.

E no tricolor paulista, comecei o ano como titular na posição e com grandes perspectivas de ter outro grande ano, jogando na posição que me destaquei no clube mineiro.

Um dia, após um treinamento, vejo o treinador do São Paulo FC dando uma entrevista dizendo que para fechar o grupo de jogadores para a temporada faltava a contratação de um lateral-direito.

Assim que ele termina de falar com a imprensa vou de encontro a ele e me ofereço para jogar como lateral e ajudá-lo naquele início de temporada. Ele se surpreende, diz que precisa de mim no meio-campo. Eu insisto em dizer que quero ajudá-lo e ajudar o time. Trabalho em equipe.

Mês de janeiro, domingo, cidade do Rio de Janeiro, Maracanã, 16h, 35 graus, jogo contra o CR Flamengo válido pelo torneio Rio-SP e meu treinador Levir Culpi me escala para jogar improvisado como lateral-direito.

Vencemos aquele jogo por 2x1 e dei uma assistência para um dos gols do São Paulo FC.

Tomei então uma das decisões mais importantes da minha vida.

Mesmo sendo o melhor meia-direita do Brasil, eu mudo de posição no campo e começo a jogar como lateral-direito.

O eu hoje certamente falaria para o eu em 2000 não fazer isso.

Abri mão de jogar em uma posição de destaque, de protagonismo, que está sob holofotes para ir para a beirada do campo, jogar numa posição pouco apreciada, difícil e de quase nenhuma notoriedade.

Mas acredito que aquilo ocorreu pela autoconfiança e pela capacidade que eu acreditava ter em me superar. Deu certo.

Treinei muito, joguei, me destaquei e seis meses depois eu fui convocado para jogar na Seleção Brasileira como lateral-direito. E em 2002 fui Pentacampeão do Mundo.

Não é sobre sorte ou acaso. É sobre arriscar, acreditar, treinar, trabalhar e superar.

Acredite em você e nas suas capacidades!

Juliano Belletti
Arquivo Pessoal/Juliano Belletti

Sócio-Honorário do Instituto Êxito de Empreendedorismo, co-proprietário da rede de franquias Arena Belletti e embaixador global do FC Barcelona.



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