Sempre que falamos em qualquer processo de automação inevitavelmente pensamos em três consequências diretas, a 1ª é a economia de custo com pessoal, a 2ª refere-se à demissões e a 3ª é relativa à redução de vagas empregos.

Inevitavelmente somos remetidos a pensar em famílias com substancial perda de rendimentos e daí por diante.

Os que têm idade um pouco mais avançada se recordam imediatamente da implementação das famosas “maquininhas do Bradesco”, a época em que começaram a operar os caixas eletrônicos do BDN.

Desde aquele período até os dias atuais, normalmente os processos de automação tem uma correlação direta com substituição de homem por máquinas.

Antes mesmo do Covid 19, o tema já chamava à atenção de grandes organismos e personalidades mundialmente, ao ponto de se discutirem a implantação de uma “Renda Mínima Universal” para “compensar” os prejuízos pessoais provocados pelo avanço tecnológico.

No Brasil, confirmando a tendência de automação, segundo um levantamento feito pela Page Group, no ano de 2019, intitulado "Estudo de Perspectivas Econômicas e Profissionais da América Latina", cerca de 57% das empresas não consideravam aumentar seu quadro de funcionários em 2020, ao mesmo tempo que 81% das empresas já pretendiam reduzir seu quadro pessoal logo no 1° semestre.

O mesmo estudo ainda demonstra que 60% dos líderes empresariais latinos americanos estão apenas parcialmente satisfeitos com a formação de sua equipe.

Apesar de todo este cenário assombroso provocado pela chamada “Revolução Digital”, segundo uma matéria publicada pelo site americano Harvard Business Review, justamente uma das maiores corporações empresarias do mundo, a gigante Amazon, deu uma clara demonstração de que podemos retirar os humanos dos trabalhos que devem ser executados pelas máquinas e permitir que possamos trabalhar como gente de verdade.

Segundo a matéria, na última década, a Amazon empreendeu grandes esforços para automatizar o trabalho de escritório com um programa de software chamo Hands off the Wheel. O objetivo não era eliminar empregos, mas automatizar tarefas, para que a empresa pudesse realocar pessoas para criar novos produtos – “para fazer mais com as pessoas da equipe, em vez de fazer o mesmo com menos pessoas”.

O processo de automação começou a por volta de 2015, apelidado de Projeto Yoda. 

Neste período, os funcionários da divisão de gerenciamento de varejo passavam os dias fechando negócios e elaborando promoções de produtos, bem como determinando quais itens estocar em seus depósitos, em quais quantidades e por qual preço.

Você viu?

Segundo o então gerente geral da empresa, “Quando você tem ações que podem ser previstas repetidamente, não precisa que as pessoas as façam”.

Seguindo essa linha de raciocínio, começaram a ensinar ao software a executar as tarefas até então realizada pelos funcionários, de tal forma que software passou a funcionar como uma espécie de copiloto para os trabalhadores, porém, naquele momento, os humanos poderiam ignorar as sugestões, com isso, talvez até por uma auto proteção, muitos trabalhadores  deram uma forcinha para retardar um pouco a aprendizagem do software.

Mas no início deste ano o software já havia assimilado todo o aprendizado e foi colocado em pleno funcionamento.

Tal fato gerou um grande desanimo para os funcionários da divisão de varejo, reconhecendo que a máquina executavam suas tarefas melhor do que eles, portanto, seus empregos estavam comprometidos. 

Por outro lado, embora a Amazon estivesse com a faca e o queijo nas mãos para reduzir seu quadro funcional, enxugando sua folha de pagamento, a mesma mais uma vez inovou, aproveitando os colaboradores os realocando em novas funções.

De modo que os funcionários da divisão de varejo da empresa passaram a ocupar cargos de gerente de produto e programa, funções de rápido crescimento na Amazon.

Os gerentes de produto supervisionam o desenvolvimento de novos produtos, enquanto os gerentes de programa supervisionam grupos de projetos. 

Segundo o um dos diretores “As pessoas que faziam essas tarefas rotineiras e repetidas agora estão sendo liberadas para fazer tarefas que envolvem invenções, coisas que são mais difíceis para as máquinas fazerem”.

Desta forma, podemos concluir que se a Amazon tivesse eliminado esses empregos, teria tornado seu principal negócio mais lucrativo, mas muito provavelmente teria perdido seus próximos novos negócios. 

Particularmente, acredito o que o faturamento não deve ser o ponto mais importante das organizações empresarias, mas sim o crescimento, então, talvez as empresas que desejem estar em constante crescimento devessem observar o exemplo desta grande líder de mercado e repensarem suas políticas coorporativas.

André Paixão
Arquivo pessoal

André Paixão é professor, advogado, criador do Programa de Aceleração Empreendedora para Universitários MoreSkillss e Sócio Conselheiro do Instituto Êxito.



    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes