Como falar em Inovação, Inclusão, Transformação ou Disrupção, sem antes compreender o básico da diversidade e da inclusão das minorias em nosso ecossistema?

Ou até mesmo, como compreender um todo sem ouvir e respeitar visões diferentes?

Durante muito tempo, fazer negócios e tomar decisões foram única e exclusivamente: Coisas de Homem, sendo que crescemos ouvindo que deveríamos nos comportar como homens, quando a ideia era ser forte, destemido, decidido e outros adjetivos altamente marcantes.

O que pouco se refletia em tempos antigos e muito tem se questionado na atualidade, o que vem cada vez mais elucidando a importância da representatividade e atuação feminina em nosso ecossistema é o simples fato de todos nós, sem exceção, recebermos em nossa primeira idade os cuidados de uma mulher, seja qual título ela tenha em nossa construção enquanto seres humanos, sem elas não estaríamos aqui.

Refletir sobre as ações realizadas por elas em um ecossistema que cresce exponencialmente, a atuação das mesmas, sua maneira peculiar de fazer negócios, além dos coletivos formando ambientes envoltos a sororidade e olhar covalente, em que sabemos que, olhar na mesma direção gera a força motriz que as faz ir além do que podem imaginar serem capazes de realizar.

A capacidade de execução das mulheres, a profundidade do preparo e o pleno conhecimento da dor a qual pretendem solucionar, estão comprovados na pesquisa do The Boston Consulting Group (BCG) de 2018, que diz que as startups fundadas por mulheres geraram U$ 0,78 (dólar) para cada dólar investido, enquanto as fundadas por homens menos da metade, U$ 0,31 (dólar). Além de tudo, os desafios que enfrentam ao empreender, as deixam mais talhadas para viver e vencer as dificuldades inerentes ao dia a dia do empreendedorismo.

Dentre todas as características que observamos, uma tem sido em minha caminhada a mais importante, aquela que não deixa dúvidas mesmo a olhos nus: somos humanos, pertencentes a uma mesma raça e em constante evolução, evolução essa que tem como objetivo validar e valorar nosso maior tesouro: O capital humano.

Quem melhor que uma mulher, que gera a vida para possuir tal olhar? Um olhar que compreende um choro sem que ao menos uma palavra seja dita?

Se sairmos de fato da caixa, buscando números que nos tragam a discrepância na atuação entre homens e mulheres no mercado de trabalho, veremos números como os que foram divulgados em Agosto desse ano, no relatório 100 Super Founders do Distrito, em que são 98% dos founders homens para apenas 2 % mulheres, um número alarmante, em aparecem apenas Cristina Junqueira da Nubank e Karin Thies da Geru.

Números que fogem totalmente as premissas  em que se encontra nossa economia que de fato, devemos ao invés de chama-la de Nova Economia, compreender que se trata da 4ª Revolução Industrial ou, Economia Digital em que o centro de tudo deixa de ser apenas os processos e tem como foco as pessoas, destacando de maneira massiva a UX.

A querida Dani Junco, Founder da B2Mommy, em seu artigo no Linkedin comenta que estamos quarta revolução, uma economia onde os maiores unicórnios do país tem em seu modelo de negócio as premissas de: comunidade, colaboração e compartilhamento, enfatizando o quanto tais conceitos estão presentes na essência feminina, afirmação validada quando pensamos em nossa ancestralidade e como a raça humana se desenvolveu no decorrer dos séculos.

Você viu?

E para os céticos, que não compreendem a representatividade delas em nosso ecossistema, vamos aos dados, uma vez que sabemos que números dificilmente mentem:

  • O número de lares brasileiros chefiados por mulheres passou de 23% para 40% entre 1995 e 2015, segundo a pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgada em março de 2017 pelo Ipea;
  • Há 5,5 milhões de crianças brasileiras sem o nome do pai na certidão de nascimento, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ);
  • Entre 2005 e 2015, o número de famílias compostas por mães solo subiu de 10,5 milhões para 11,6 milhões, segundo dados do IBGE divulgados em 2017;

Ainda restam dúvidas da enorme quantidade de mulheres que são responsáveis por seus lares e movem nossa economia dia após dia? Ou até mesmo sobre como nossos olhares podem ser diferentes e complementares?

Certa vez, em uma banca fui surpreendido por um belo projeto que atendia tal público, o business era organizar a lista de “chás de bebê” e o erro era: Simplesmente não existia mulher na equipe. Minha primeira reação foi pedir para que corrigissem tal erro e quem sabe, em algum outro momento eu pensaria em avalia-los.

Gênero não é e nunca deverá ser régua para se medir competência, a capacidade de aprendizagem do ser humano é desenvolvida e ocorre independente de tal detalhe, aprendemos enquanto raça humana e não enquanto homens ou mulheres, de maneira distinta.

Quando falo de Pitch Ideal, os primeiros requisitos consistem em conhecer uma dor para possuir autoridade para curá-la, diante disso é impossível continuar insistindo em uma velha economia com base em uma sociedade que busca desenvolver-se em um modelo patriarcal em que tentam calar a voz das mulheres as colocando enquanto sexo frágil.

Vale ressaltar que uma mulher não apenas possui em seu corpo habilidades que a permitem formar uma vida, como também gloriosa missão de nos trazer ao mundo e ter em si, nosso som mais belo e inicial, as batidas de nossos corações.

Sejam Luizas, Danis, Marias, Julias, Helenas, Roses ou qualquer outro nome que carreguem, devemos cada vez mais ouvi-las, não tentando de modo algum interromper suas falas, dando espaço para que suas atuações em nosso ecossistema seja cada vez mais constantes e sua representatividade cada vez mais presente.

Posso garantir que não há nenhuma certeza maior em nosso universo, do que a decisão e certeza de uma mulher que sabe exatamente o que deseja realizar.

Que juntos possamos lutar pela diversidade em nosso ecossistema, buscando construir equipes que sejam pautadas na verdade e na valorização do capital humano, considerando suas particularidades e diferenças, para que assim tenhamos sempre o desenvolvimento pleno de nosso bem mais importante: O capital Humano.

Fernando Seabra
Arquivo pessoal

Fernando Seabra é Mentor do Planeta Startup, Diretor FIESP - Startup Ecosystem – e especialista em Desenvolvimento Humano e Liderança.



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