Nessa semana, a ABMES divulgou uma pesquisa que revela muito mais do que a preocupação imediata com a captação de alunos: o apagão de mão de obra qualificada daqui a 5 anos. Isso porque esse é o tempo médio que o brasileiro passa no ensino superior.
Essa preocupação, claro, se dá devido a uma soma de fatores, como a crise do coronavírus, o adiamento do Enem e até mesmo a proposta de reforma tributária, que prevê um aumento de tributos nas mensalidades de até 11%.
Desses fatores, um dos mais importantes é mudança da data da prova do Enem. Com o exame sendo realizado em janeiro e fevereiro de 2021 e o resultado somente no final de março, o calendário das universidades fica comprometido, já que aproximadamente 76% dos entrevistados usam essa nota para conseguir bolsas ou financiamentos em instituições particulares. Estamos falando de ao menos 3,5 milhões, dos 5,8 milhões inscritos que devem buscar uma vaga nos cursos das instituições privadas de ensino superior e dependem da divulgação do resultado para cursar a graduação. E já imaginou no impacto que vai causar a ausência desses alunos?
Espero que daqui a 5 anos o mercado já tenha superado totalmente essa crise e as oportunidades de trabalho surjam cada vez mais. Mas como faremos com uma diminuição de mais de 50% dos profissionais formados naquele ano? Quais consequências trariam para a economia? A grande maioria dos alunos querem continuar com seus planos de estudo, então, o que podemos fazer para minimizar esses danos e quem sabe evitar esse apagão de mão de obra? Muito do que já vem sendo feito nesse meio de ano parece um caminho: notas de anos anteriores do Enem e vestibulares digitais. Ou seja, as instituições podem focar nos seus próprios processos seletivos. Mas quais outras formas de seleção poderiam surgir para o 2021.1? Como podemos ajudar esses alunos a não perder um semestre ou mesmo um ano de estudo? É o questionamento que todos nós estamos fazendo.
Beto Dantas é CEO Amigo Edu e Conta