A vida mudou e a forma de aprender também. Em poucos dias, tivemos de rever nossas prioridades e valores. No campo da educação, vemos transformações ainda maiores quando comparadas às outras áreas essenciais. Superação e tecnologia são as palavras de ordem para mantenedores, educadores e funcionários das escolas, em especial nas pequenas, que converteram 5 anos em 5 dias.
Precisamos proteger a educação de nossos filhos, pois é a única via para construção de novos hábitos, de forma criativa e segura. Através das aulas mediadas por tecnologia, as famílias estão encontrando, em casa, equilíbrio e motivação para prosseguirem com desenvolvimento intelectual e emocional dos estudantes. E os pais? Estão em franca evolução! Passaram a participar integralmente do processo educacional de seus filhos.
A escola de “antigamente” não voltará mais: Google for education, Zoom, YouTube, Instagram, Facebook, WhatsApp e tantas outras ferramentas passaram a ser protagonistas no processo de aprendizagem. Há pouco mais de um mês, falava-se em proibir o uso de celulares e tablets nas salas de aula, inclusive havia projetos de Lei: Termo disrupção atualizado com sucesso.
Boa parte das escolas particulares brasileiras tem pequeno porte e a hercúlea missão reaprender a ensinar. No histórico recente, a qualidade do serviço educacional por elas prestado é inquestionável, como mostraram os resultados do Pisa 2018, no qual receberam índices equiparados às escolas do chamado primeiro mundo.
De acordo com o Censo Escolar de 2019, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a rede privada de ensino básico possuía 41.434 escolas e 9.134.785 estudantes matriculados. Infelizmente, muitas dessas instituições estão fechando suas portas e demitindo colaboradores, portanto, esse número deve desidratar bastante.
Você viu?
Para piorar: Gênios carentes de holofotes, nas Assembléias Legislativas e em Câmaras Municipais, tiveram a brilhante ideia de propor descontos compulsórios e lineares, de 30% ou mais, potencializando a crise no setor. Embora sabedores que se trata de matéria federal, mesmo assim o fizeram para “levantar a discussão”. Estará o sistema público de ensino preparado para absorver essa demanda de estudantes e professores? Teremos de 100 a 200 bilhões de reais sobrando (por ano)?
Nas escolas de educação infantil a crise é ainda maior, mas espera-se bom senso e negociação, caso a caso, com as famílias. Precisamos unir esforços para evitar o total colapso no setor, através da criacão de Fundos Públicos de Apoio às Pequenas Escolas Particulares e a imediata desoneração da carga tributária, em face do essencial papel de proteção às famílias que essas instituições desempenham.
O que nos arrefece nesse deserto é a capacidade que nossos professores têm de se adaptar, de criar novos caminhos. Contudo, ao retornarem às escolas, precisam avaliar os resultados desse novíssimo processo de aprendizagem, talvez sendo necessário ajustes e complementação das aulas, principalmente nas séries iniciais. Considerando que o governo federal, embora tenha liberado a obrigatoriedade dos 200 dias letivos, manteve as 800 horas de carga horária mínima, por certo, o ensino mediado por tecnologia, diretamente do futuro, veio para ficar.
Rony Siqueira é Professor, Presidente do Instituto Educações e Sócio Conselheiro do Instituto Êxito de Empreendedorismo.